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A história da marca de Fluke

Guta Tolmasquim
Guta Tolmasquim
CEO da Brand Gym

O que será que acontece com nossas companhias de celular que, cedo ou tarde, nos tiram do sério? A Fluke veio resolver uma questão que todo mundo no Brasil parece odiar: telefonia.

Fluke foi fundada por um time com média de 20 anos de idade dentro de um campus de Engenharia da USP, lá em São Carlos. Os fundadores queriam empreender e já tinham participado de diversos concursos, hackathons e eventos, até que resolveram passar um carnaval inteiro dividindo o tempo entre oito horas de estudo, oito horas de sono e oito horas de festa. Eles nos contaram que 66% da meta foi batida — parece que o sono ficou pra depois.

O fato é que com muito trabalho, muita pesquisa, uma pitada de sonho e outra de ingenuidade eles foram colocando a empresa de pé. O modelo de negócios é o de uma operadora digital: existe lá fora, mas nunca vingou no Brasil.

O pulo do gato é comprar banda e dados no atacado e vender no varejo. Dessa forma, é possível vender dados que não expiram no fim do mês e viabilizar uma operadora que não precisa vender planos mensais. Olhando para o mercado, vemos o famoso jogo de rouba montinho, com grandes esforços de marketing para roubar clientes uns dos outros e, aparentemente, poucos esforços de produto para reter clientes atuais. Fora isso, o modelo de negócios depende de breakage — o que você paga e não consome — como numa churrascaria em sistema de rodízio. É um mercado pedindo para ser disrompido — sem ofensas às churrascarias.

Ao ser extremamente relevante para um nicho — universitários, inicialmente com DDD 16, a marca se dá ao direito de comunicar para um retalho de target com muita aderência e focar em retenção. O discurso da marca bebe do empreendedorismo, que está no DNA dos founders, e diz que se algo no mundo não é do seu jeito, é possível empreender para fazer com que seja. Os fundadores são presença certa em todos os eventos locais de empreendedorismo. Já a comunicação da marca fala sobre autenticidade, afinal, se as operadoras gigantes têm uma mão bem melhor no jogo de campanhas milionárias de mídia, ao invés de blefar, é melhor jogar outro jogo.

Fluke não tem pirotecnia, nem construção de campanhas com budgets maravilhosos. Mas sabe de uma coisa? Ela é verdadeira! E é com isso que seu consumidor se importa. A comunicação é clara, fala sobre assumir quem você é, jogar com suas forças e aceitar as fraquezas. Nada mal para uma empresa que começou sem planos e sem fidelidade.

Branding workout
ESTRATÉGIA
DESENHO DA MARCA
TERRITÓRIO VISUAL

O maior desafio da Fluke foi traduzir as características da empresa em uma personalidade de marca que o time conseguiria colocar em prática, mesmo sem uma grande área de marketing, e encontrar formas de explicar a diferença da Fluke para as grandes empresas de telefonia sem deixar de trazer a credibilidade de que o serviço funciona. Mantivemos as cores verde e preta, que já estavam no MVP, mas com estrutura e profissionalismo, e focamos em desenvolver posicionamento e território verbal que deixassem clara a proposta de valor da marca.